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quinta-feira, 2 de julho de 2020

PROTEÇÃO DO ALTO


Há momentos em nossa vida em que tudo parece fluir muito bem. As coisas estão indo como esperamos. Nossa família está indo bem, a economia está estável e crescendo, os relacionamentos estão mais fortes do que nunca. E nesses momentos, é fácil reconhecer que Deus está por trás de tudo.

Mas o que acontece quando é o contrário? Quando estamos emocionalmente devastados. Quando as circunstâncias são claramente contra. Quando as pessoas te atacam. Quando eles querem roubar sua paz. Quando a saúde se deteriora. Quando perdemos algo valioso. Nos sentimos mal e tendemos a culpar a Deus pelo que está acontecendo conosco.

No entanto, Deus é um Deus amoroso e paciente, mesmo quando duvidamos. Os filhos de Corá, ajudantes do templo, escreveram uma canção para lembrar a fidelidade de Deus e seu tremendo poder sobre as circunstâncias que enfrentamos. Embora a terra desmorone e as montanhas afundem, mesmo que as águas estremeçam e as montanhas tremam, podemos confiar na proteção dele porque "Deus é nosso refúgio e nossa força, nossa ajuda certa em tempos de angústia". (Salmos 46:1).

Portanto, ao concluirmos este plano de leitura, quero lembrá-lo de algumas das maravilhosas promessas de Deus para sua vida nesta crise:

Deus está contigo.

  • Ele nunca te abandonará.
  • Não há nada impossível para Deus.
  • Se você o procurar, encontrará e abrirá a porta para você.
  • Ele nunca vai jogar a toalha com você.
  • Ele lutará por você.
  • Conhece suas necessidades e Ele proverá.
  • Ele lhe dará força quando você estiver cansado.
  • Quando estiver, Ele aumentará sua força.
  • Te fortalecerá e o ajudará.
  • Ele o levará pela mão direita.
  • Ele irá protegê-lo.
  • Ele tem planos de bem-estar para você.

Oração:

Pai, você é santo e grande! Não há ninguém como você. Ninguém se compara a você. Você derrotou o mundo, derrotou a morte e está a meu favor. Obrigado por me deixar todas essas maravilhosas promessas. Ajude-me a confiar em ti. Ajuda-me ter fé em ti. No poderoso nome de Jesus Cristo, te pedimos. Amém

quarta-feira, 1 de julho de 2020

NÓS AFUNDAMOS!


Uma das histórias mais surpreendentes do Novo Testamento é a de Jesus e a tempestade. Jesus e seus discípulos estavam compartilhando as boas novas, ajudando as pessoas durante todo o dia, e chegou a hora de deixar a  multidão. Então todos pegaram um barco para atravessar o lago.

De repente, uma tempestade furiosa começou a atingir o pequeno barco: os discípulos temiam por suas vidas enquanto Jesus dormia pacificamente com a cabeça em um travesseiro. Os discípulos, cheios de medo, foram e acordaram Jesus. Ele se levantou calmamente e repreendeu o vento e a maré. Eles ficaram impressionados com o poder de Jesus.

Mas, no relato, há uma observação importante de Jesus em relação a seus discípulos: "Homens de pouca fé!" ele expressou e continuou: "Por que vocês estão com tanto medo?" (Mateus 8:26). Jesus foi exatamente ao ponto: fé.

Você notou o elemento comum em todas as passagens que estudamos? A fé. É tudo uma questão de fé. Não importa quão frenético seja o vento, a pandemia ou a escassez. As circunstâncias da sua crise realmente não importam. Não importa se a saúde está complicada, se o mercado de ações cai, se há cortes de empregos etc. O que realmente importa é a nossa resposta de fé à circunstância.

Isto é um teste. Mas o teste não é realmente a circunstância pela qual você está passando, mas sim se você aprenderá a confiar em Deus em meio a ela.

Devemos confiar em Deus que tem poder sobre a natureza, sobre micro-organismos e pragas. Deus é maior que o maior medo que temos: a morte. Jesus já venceu. Você vai viver uma vida de medo ou confiar nele e em suas promessas?

Oração:

Senhor, não importa quão forte seja a tempestade, eu confiarei em você. Eu sei que seu poder é maior que tudo e que nada é impossível para você. Ajude-me a lembrar que você está no barco comigo e que eu não devo temer porque você está no controle total. Amém.

UM POUCO DE PAZ!


Em tempos como os que vivemos, basta abrir as redes sociais, chats em grupo e colocar as notícias repletas de informações, desinformações, estatísticas, números alarmantes e manchetes que procuram cativar sua mente. Eu acho que estar informado é importante, mas quando é a única coisa com que você alimenta sua alma e seu coração, acho que há um problema.

O que deixarmos entrar em nossos corações e em nossas mentes afetará como nos sentimos e como agimos. Se eu deixar as notícias dominarem meus pensamentos, não me surpreenderá que meus níveis de ansiedade e medo estejam no teto.

Por outro lado, quando deixo a verdade de Deus governar minha mente, os níveis de medo e ansiedade praticamente desaparecem. Não é por acaso que Paulo falou em nos protegermos com o cinturão da Verdade para enfrentarmos os ataques do inimigo.

Então, como você pode experimentar a paz em meio a circunstâncias adversas? Centenas de anos antes da vinda de Jesus Cristo, o povo de Israel enfrentou o exílio. Isso representou a perda de suas terras, suas riquezas, sua identidade nacional, suas famílias, em alguns casos, sua dignidade e sua liberdade. Deus, por meio do profeta Isaías, nos deixou uma promessa maravilhosa: " Tu guardarás em perfeita paz aquele cujo propósito está firme". (Isaías 26: 3).

A palavra hebraica para paz aqui é shalom-shalom. Uma paz completa, uma paz que não falta nada, mesmo em meio a circunstâncias difíceis. A chave para experimentar esse tipo de paz é que nossos pensamentos perseverem em Deus. Não podemos deixar que nossas mentes sejam alimentadas com os pensamentos deste mundo, porque não somos do mundo.

Na prática, isso tem a ver com as Escrituras. Você deve se apropriar das magníficas histórias da proteção e cuidado de Deus com seu povo, como o milagre da Páscoa; provisão no deserto através do maná; quando Davi derrotou Golias; quando José foi da prisão ao palácio, etc.

Oração:

Senhor, confio em sua promessa de manter em completa paz todo aquele cujo pensamento persevera em ti. Ajuda-me a ser consistente em pensar biblicamente. Ajuda-me a encher minha mente de verdade. Ajuda-me a experimentar aquela paz que nada falta. Amém.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

TEREMOS PROVAS

Aceitar Jesus como seu Salvador e decidir segui-lo são duas das melhores decisões que você tomou em sua vida. No entanto, ser um seguidor de Jesus não significa que você nunca enfrentará problemas, provações ou aflições.

De fato, a Bíblia nos ensina que, em nossa caminhada temporária nesta terra, experimentaremos todos os tipos de dificuldades. Por exemplo, o rei Davi disse que "Os bons passam por muitas aflições, mas o Senhor os livra de todas elas." (Salmos 34:19). O próprio Jesus disse: “No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo.” (João 16:33). E ambos, Davi e o próprio Jesus, testemunharam o poder da proteção de Deus em meio a situações muito turbulentas.

Sei que provavelmente não é o que você deseja ouvir, mas não podemos viver pensando que, porque vamos à igreja ou porque lemos a Bíblia, estaremos de alguma forma imunes à dor neste mundo. Vamos enfrentar perdas como qualquer outra pessoa: empregos, família, amigos, saúde. Então o que faz a diferença?

A grande diferença são as promessas de Deus às quais podemos nos apegar no meio da crise. Por exemplo, dessas duas passagens, podemos extrair duas promessas de Deus:

  1. Estarei com você no meio da provação.
  2. No devido tempo te tirarei dessa situação.

Portanto, nesses momentos de histeria coletiva, ansiedade e desesperança, confie que Deus não o abandonou. Confie que Deus está com você na sua situação atual. Acredite que haverá um tempo em que você olhará para trás e poderá agradecer por esta crise pela qual está passando, porque será o instrumento para que sua confiança em Deus seja purificada.

Oração: 

Senhor, reconheço que há muitas coisas além do meu controle que me entristecem. Você os conhece. Eles não são uma emergência para você. Você tem tudo sob controle, incluindo meu bem-estar, o de minha família e minha comunidade. Lembre-me que você está comigo e que, no devido tempo, você vai me tirar da tempestade. Amém.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Amor para com todos


Pr. Luiz César Nunes de Araújo


O apóstolo Paulo vem descrevendo com muita coerência a ética do comportamento cristão. A lição anterior enfatiza o amor no seio da comunidade cristã. O amor é o grande princípio normativo dessa ação. Na comunidade do povo de Deus cada crente é chamado para efetivar o amor ao próximo por meio de ações. A partir do versículo 14, Paulo mostra que esse princípio do amor cristão deve aplicar-se abarcando também o mundo exterior. Deus amou o mundo (Jo 3.16), isto é, a humanidade inteira; espera-se dos crentes a mesma amplitude de amor. 

Uma clara demonstração do amor de Deus pode atrair as pessoas para o reino do Salvador. "Quando ainda estávamos sem forças, Cristo morreu a Seu tempo pelos “ímpios”. Deus recomendou o Seu amor para conosco quando ainda éramos “pecadores”, e isso foi demonstrado pelo fato de que Cristo morreu por tais pecadores. (cf. Rm 5.6, 8). Nisso percebemos o princípio divino do amor em operação, que se baseia em si mesmo, e não no objeto amado. O amor é um princípio fixo da natureza divina, não é algum benefício que opera somente em favor dos objetos que lhe são agradáveis. Deus achou por bem amar, e assim amou ao mundo. O amor de Deus, entretanto, é um poder transformador que pode modificar completamente o objeto amado.” (Champlin)


Vejamos o que, à sombra do amor de Deus, podemos investir nas outras pessoas e em nós mesmos.


I. Abençoai os que vos perseguem (Rm 12.14)

“Em Cristo encontrai o possível no impossível; levai à morte o ressentimento da natureza humana, deixando tudo aos pés de Cristo, no hálito de seu amor.” (Moule)

Se a esperança cria largueza de coração para com os perseguidos, também cria a capacidade de amar e bendizer os próprios perseguidores. O mandamento do Senhor é amar e bendizer os nossos inimigos e perseguidores (Mt 5.44). Nas promessas das bem-aventuranças, Jesus fala da reação correta em relação à perseguição (Mt 5.10-12). Pedro igualmente ordena que evitemos a vingança e que abençoemos os que nos injuriam. Abençoar é uma atitude bastante condizente com os filhos de Deus. Os que não são do Senhor têm facilidade em maldizer as outras pessoas. 

Algumas vezes as crises pelas quais passamos podem nos levar a um sentimento de vingança em relação às pessoas que nos prejudicam. É aí que se percebe a diferença de estar em Cristo: o mesmo sentimento que Nele habitou deve estar em nós (Fp 2.5). “Ter a boca cheia de amargura é uma das grandes características dos homens não regenerados, o que de forma alguma convém àqueles que proferem o nome de Cristo” (John Gill).

É bom que cada um reflita no que tem falado a respeito das autoridades, dos líderes religiosos e das pessoas ao redor. Cada um de nós deve aprender a falar bem a respeito dos outros (Tg 3.9-12).


II. Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram (Rm 12.15)

“Não convém a nenhum crente aspirar ambiciosamente aquelas coisas mediante as quais poderá ultrapassar a outros, e nem lhe convém assumir uma experiência exaltada e altiva; bem pelo contrário, compete-lhe humildade e mansidão.” (João Calvino)

Paulo fala na graça cristã da empatia, que é a capacidade de se identificar com a outra pessoa, de sentir o que ela sente (Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, 2002).

Quanto mais a pessoa vai se tornando parecida com Cristo, mais se deixará mover de empatia com outras pessoas. A largueza de coração criada pela esperança cristã torna o homem sensível às alegrias e tristezas dos outros em geral.

Crisóstomo nos adverte que é mais fácil chorar com os que choram do que se alegrar com os que se alegram. Porque é comum à natureza humana chorar pelos que sofrem, contudo, podemos cair no pecado da inveja ao vermos uma pessoa obtendo sucesso. No entanto, quem ama ficará sempre feliz com a alegria da pessoa amada.

“Quanto mais egoísta formos, tanto menos inclinados à empatia seremos. Em contrapartida, quanto mais altruístas formos, tanto maior será a nossa empatia por nossos semelhantes.” (Champlin)

Esforcemo-nos por possuir a mente compassiva e cheia de empatia. Que nosso coração se deixe tocar pela aflição alheia!


III. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros (Rm 12.16)

“Unidade é o compartilhar incondicional de nossa vida com os outros membros do corpo de Cristo.” (R. J. Sider)

A edição da Bíblia revista e corrigida (ARC) traduz o v.16 da seguinte forma: “Sede unânimes entre vós”. De fato, Paulo está focalizando a necessidade de harmonia entre os irmãos. A harmonia é um dos resultados naturais do amor, da mesma forma que a dissensão, os conflitos e a confusão são resultados perfeitamente naturais do orgulho e da vaidade.

A harmonia entre nós é produzida pela operação amorosa do Espírito Santo, a qual produz todo o seu fruto em nós. As relações harmoniosas então devem ser buscadas e mantidas no seio da comunidade cristã (Rm 15.5; 2Co 13.11; Fp 2.2 e 4.2). O próprio Senhor Jesus nos informou que a nossa unidade é um meio eficaz para o testemunho cristão (Jo 17.23).


IV. Condescendei com o que é humilde (Rm 12.16)

“A humildade é a base de toda a virtude, e aquele que desce mais é quem edifica com maior segurança.” (Philip J. Bosley)

Cada crente deve identificar-se com os demais. Não pode haver distinção que promova a divisão do corpo de Cristo. É bom lembrar que os romanos, para quem primeiramente foi endereçada essa carta, tinham escravos. Quão difícil deve ter sido para alguns indivíduos destacados se misturarem e tratarem como iguais aos escravos de sua casa! Cristo trouxe uma nova ordem, pois em Sua família o prestígio social não mais distingue os filhos.

O crente deve se deixar atrair também por pessoas de menor influência na igreja. Não se deve privilegiar a quem tem uma melhor posição social e intelectual. Este é um sinal de uma igreja sadia: os irmãos de classes sociais distintas convivendo com igualdade e amor (At 2.42-44).

Os títulos e a aristocracia de alguns irmãos mais privilegiados deviam ficar fora do convívio da comunhão cristã (Tg 2.1-9).

“Rebaixai-vos à condição de humilde, andando ou caminhando ao lado deles; não sendo humilde tão somente na atitude mortal, mas ajudando-os igualmente, e estendendo a mão para eles.” (Crisóstomo)


Aplicação

Procure observar se os irmãos de condição mais humilde de sua igreja têm sido acolhidos pelos demais. Tome você mesmo a iniciativa dessa tarefa.


V. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos (Rm 12.16)

“A coisa trivial, a tarefa comum, fornecerá tudo quanto devemos pedir: ocasião para negarmos a nós mesmos, um caminho que nos leve cada dia mais perto de Deus.”  (Keble)

O apóstolo Paulo orienta que o amor cristão elimine o orgulho e a presunção. O nosso modelo é o Senhor Jesus, que Se humilhou, antes que fosse exaltado (Fp 2.2-5). O próprio Jesus foi quem disse: “aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29).

É um perigo para o cristão começar a se comparar com os seus irmãos e julgar-se melhor. Muitas vezes, os que querem se mostrar “mais espirituais” são os mais orgulhosos e quase nunca aceitam a orientação de seus líderes. O final é sempre a queda espiritual e a divisão da igreja.


“Temível é aquela atitude mental, possível até mesmo para o homem de propósitos espirituais mais intensos, que supõe que nada mais tem para aprender.” (Champlin)

O cristão não deve se ensoberbecer, pois Cristo convoca para amar e o amor não ensoberbece (1Co 13.4). Pelo contrário, se há algum motivo para se gloriar, é no Senhor (Sl 44.8; Jr 9.24; Rm 5.11, 1Co 1.31; Gl 6.14).


Conclusão

Admoestações à unidade, humildade e compreensão compassiva e advertência contra o orgulho não estão fora de propósito quando se fala da tribulação presente e da esperança que triunfa sobre a tribulação; as palavras de Paulo à igreja de Filipos, que experimentava aflições, o demonstram (Fp 1.29-2.4; cf. 2.14-18; 4.2). A tribulação que atinge a todos e o prospecto do mesmo martírio não garantem por si só união e humildade na igreja atribulada. Realmente, Romanos 12.16-17 parece ser um comentário do pensamento expresso em Filipenses 4.5: “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens”. Paulo roga aos cristãos de Filipos que deixem todos ver neles, tanto amigos como inimigos, a igreja perseguida, o comportamento digno de reis, que advém da consciência que se tem da própria força. A força da igreja reside em sua esperança. Paulo apresenta o motivo e a dinâmica para esta serena moderação nas palavras: “Perto está o Senhor” (Fp 4.5).

O amor no seio da comunidade cristã


Pr. Luiz César Nunes de Araújo


Nós, os cristãos, enquanto aguardamos a volta de Cristo, temos deveres sociais e éticos, os quais são como parâmetros para nosso comportamento. Fazemos parte da sociedade e temos que exercer influência sobre ela. A igreja de Roma, destinatária do texto sagrado que estamos estudando nas lições 3 a 6, vivia num clima hostil ao evangelho. Eles deveriam, no entanto, exercer a vida cristã ativamente, brilhando no meio das trevas (Rm 13.11-14). O que determina o nosso proceder não é o sistema ao nosso redor, mas os critérios claros descritos na palavra de Deus (Rm 12.2). 

Nos pontos que se seguem, Paulo mostra mais cinco diretrizes para que o nosso comportamento seja como o verdadeiro fruto de nossa fé.


I. Alegrai-vos na esperança  (Rm 12.12)

“Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados  para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”. (1Pedro 3.15)

Paulo fala constantemente aos romanos sobre o tema da esperança (Rm 4.18; 5.2; 5.5; 8.24; 12.12 e 15.13). Talvez já os estivesse preparando para um futuro difícil. A alegria da esperança dos crentes ajuda-os a suportarem as cargas das reivindicações que se seguem: sofrimento, paciência, hospitalidade, perseguição e choro. Só quem mantém uma esperança viva em Cristo pode passar com alegria pelos caminhos citados. Martin Franzmann nos ensina que a esperança é um subproduto do amor. Paulo une os dois (1Co 13.7; Cl 1.4-5). Diz Franzmann: “A esperança cristã não apenas dá coragem e resistência em aflições prolongadas (v.12); mas dá ao cristão aquela largueza de coração que o torna receptivo às necessidades de seus ‘irmãos na fé’”. A esperança cria a capacidade de amar e bendizer os próprios perseguidores (Rm 12.14; Mt 5.44). 

Embora haja o sofrimento presente, o cristão se alegra nas promessas de Deus com esperança, e a finalidade da esperança é a redenção de nossa alma. “A expectativa do cumprimento de nossa fé enche-nos o coração de júbilo, a despeito das circunstâncias externas e das condições negativas que vez por outra afligem a vida de todos nós” (Champlin). Alegria e ânimo nos são proporcionados quando contemplamos, pela fé, a concretização de nossa esperança espiritual em Cristo.


II. Sede pacientes na tribulação (Rm 12.12)

“Porque os olhos que choraram e sofreram serão para sempre diferentes de todos os outros olhos.” (Rubem Alves)

A esperança cristã nos dá coragem e resistência em aflições prolongadas, que exigem paciência.

As perseguições e as tribulações podem redundar em benefícios para os crentes (At 14.22), bem como para o evangelho (Fp 1.12-14). É no sofrimento que entendemos quanto somos dependentes da graça de Deus (2Co 12.10). Nas tribulações, crescem as pessoas, as famílias, a igreja e a nação. Esses grupos tomam um propósito de unidade em meio ao sofrimento. A tribulação nos torna conselheiros sábios e experimentados (1Co 1.3-5). A tribulação pode ajudar a nossa purificação espiritual, livrando-nos de pecados e imperfeições (2Co 7.10); Jesus nos deixou o exemplo (Hb 2.10; 5.8). Em todas as formas de tribulações, entretanto, precisamos ter paciência, sabendo que a tribulação promove a paciência, que a paciência forma o bom caráter, e este, por sua vez, gera esperança. E na esperança não somos confundidos (Rm 5.3-5 e Tg 1.2-4).


III. Perseverai na oração (Rm 12.12)

“Não importa quão grande seja a pressão. O que importa, na verdade, é onde está a pressão: a pressão separa você de Deus ou empurra-o para mais perto de Deus? Você está sentindo uma forte pressão hoje? Está começando a ficar deprimido? Quando você estiver orando, hoje, tire o fardo de suas costas,  e coloque-o nas costas de Deus. Ele sabe como lidar com os fardos. Ele tem cuidado de você! Transforme esse momento tranquilo de devoção numa experiência que liberta pressões.” (Hudson Taylor)

As aflições normalmente levam o crente a orar mais. No entanto, quando não desenvolvemos a paciência na oração, dificilmente perseveramos na sua prática.

A combinação sofrimento, paciência e oração já fora citada antes por Paulo (Rm 8.18, 25 e 26) e aparece sempre no contexto de esperança cristã. Os crentes devem ser perseverantes na oração, pois é em oração que eles encontram consolo para as suas tribulações (Ef 6.18; Fp 4.6).

Paulo vinha exaltando as graças cristãs, e todas elas estão arraigadas à oração e nela se desenvolvem. “As qualidades em que o apóstolo confiava que distinguiam os cristãos só podem ser sustentadas por meio de uma dependência constante e consciente de Deus. À parte da oração desconheceremos o sentido da alegria, não compreenderemos a paciência” (G. R. Grogg).

Uma vida transformada tem a oração como um instrumento crucial para o seu comportamento cristão.

Quando surgem as aflições, geralmente oramos, mas muitas vezes não perseveramos nesse intento. A continuação na oração é uma necessidade, devemos “orar sem cessar” (1Ts 5.17).

Esse exercício contínuo da oração é coerente com a vida cristã disciplinada e exaltada pelo apóstolo Paulo (1Co 9.26; Fp 3.14; 2Tm 2.3‑5). Também o escritor aos Hebreus naturalmente pensa sobre o corredor que, no estádio, esforça-se por alcançar o prêmio (Hb 12.1).


IV. Compartilhai as necessidades dos santos (Rm 12.13)

“A esperança cristã não apenas dá coragem e resistência em aflições prolongadas,  mas, também, dá ao cristão aquela largueza de coração que o torna receptivo às necessidades de seus irmãos.” (Martin Franzmann)

Segundo Paulo, os crentes têm uma responsabilidade social com os demais irmãos na fé, especialmente em tempo de tribulação. O apóstolo conclamou os gálatas a fazer o bem, especialmente aos da família da fé (Gl 6.10). O próprio Paulo estava muito ativo em levantar uma oferta para os santos pobres em Jerusalém (Rm 15.26). João, semelhantemente, ressaltou a providência para as necessidades dos irmãos (1Jo 3.17). Tiago confirma esse princípio (Tg 2.15-16). A marca mais alta do amor cristão é o amor aos irmãos. Jesus disse: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35).

Isso não significa que os cristãos devam se preocupar socialmente apenas com os cristãos. A Bíblia está repleta de evidências de que os crentes devem fazer o bem a todos os homens. A solicitude social dos cristãos deve começar com sua própria família (1Tm 5.8; 1Ts 4.11,12) e com os outros crentes, mas não deve terminar aí (1Tm 6.18; Mt 25.35-46 e Gl 6.9-10).

Muitas igrejas, para dar seguimento a essa orientação bíblica, têm criado ministérios que organizam e incentivam a assistência aos santos. 


Aplicação

Sua igreja tem assistido aos santos? Sua igreja tem se estruturado para essa tarefa? A orientação é bíblica!


V. Praticai a hospitalidade (Rm 12.13)

“Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem o saber,  alguns acolheram anjos.” (Hebreus 13.2)

A hospitalidade é uma forma especial de prestar assistência aos santos, especialmente a cristãos exilados, perseguidos ou desabrigados.

Desde o princípio do cristianismo, essa qualidade vem sendo considerada como um dos deveres importantes de fé (Hb 13.2; 1Tm 3.2; Tt 1.8 e 1Pe 4.9).

“Muitos dos crentes viviam como estrangeiros no mundo, distantes de seu país nativo, algumas vezes enfrentando circunstâncias hostis. A hospitalidade nestas condições tornava-se uma importantíssima manifestação de amor cristão” (Champlin). O que Paulo está dizendo é que a hospitalidade não deve apenas ser fornecida, mas perseguida. A melhor tradução seria “persegui a hospitalidade”. É bom lembrar que Paulo diz a Timóteo que os líderes têm uma obrigação maior de praticar a hospitalidade (1Tm 3.2); ainda que seja um mandamento para todos os crentes.

Cabe aqui uma palavra de alerta: muitos crentes e igrejas, no propósito genuíno de cumprirem esse mandamento, têm sido vítimas de falsos cristãos que lhes causam grandes prejuízos. É necessário muito cuidado. Sejamos simples como as pombas, mas astutos como as serpentes (Mt 10.16) para cumprir esse mandamento sem colocar em risco os familiares e demais pessoas. Na dúvida, a liderança da igreja deve ser consultada. 


Conclusão

Estamos diante de mandamentos que enfatizam o comportamento ético cristão; mandamentos que só podem ser obedecidos se a nossa vida estiver entregue incondicionalmente no altar do Senhor (Rm 12.1). 

Fazendo assim, demonstraremos uma natureza transformada e autenticidade na comunhão com Deus, e muitas pessoas conhecerão melhor o Senhor, observando nosso comportamento verdadeiramente cristão (Mt 5.13-16).

Ética do comportamento cristão


Pr. João Arantes Costa 


Iniciamos esta lição com Provérbios 26.18-20: “Como o louco que lança fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz: Fiz por brincadeira. Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda”. 

Paulo começa a seção ética de sua carta aos Romanos com a excelência do “culto racional” e da diversidade dos dons espirituais que devem estar a serviço da igreja. Entre os dons espirituais e os degraus do comportamento cristão, exatamente no começo de Romanos 12.9, ele coloca a pedra angular da ética cristã: “o amor seja sem hipocrisia”. O amor, que é realmente o princípio governante da vida cristã, é mais do que uma emoção, e é de natureza mais firme do que mero sentimentalismo ou pura filantropia. Salomão poetiza esse amor sem hipocrisia, dizendo: “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura, o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas. As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado” (Ct 8.6-7). A partir do “amor sem hipocrisia”, vêm os degraus da ética do comportamento cristão, que vamos estudar em lições seguintes. Nesta lição trataremos de seis desses degraus.


I. Detestai o mal

Detestar o mal é o mesmo que odiá-lo. Paulo usa várias vezes a palavra “fugir” para significar a repulsa que o cristão deve ter das coisas que são más (1Co 6.18; 10.14 e 1Tm 6.11): “Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas”. Carlyle, escritor cristão, comentando esse texto, diz: “O que necessitamos é ver a infinita beleza da santidade, e a infinita maldição e o horror do pecado”. O apóstolo João, em sua primeira epístola, coloca esse “detestai o mal” da seguinte maneira: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo2.15).


II. Apegai-vos ao bem

O verbo “apegar” sugere um desejo intenso de apropriar-se de alguma coisa. O salmista assim se expressa: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água.” (Sl 63.1). 

O comportamento ético do cristão é uma busca constante e intensa do que é bom. As palavras usadas por Paulo são firmes: “detestai” e “apegai”. Elas podem ser ilustradas com dois versos de Colossenses, como veremos a seguir.


1. Detestai

“Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem” (Cl 3.8 e 9).


2. Apegai-vos

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade” (Cl 3.12).

Tudo isso nada mais é do que empurrar para longe de nós o mal e abraçar de corpo e alma o que é bom, o que edifica.


III. Amai-vos cordialmente uns aos outros

Devemos ser afetuosos uns com os outros em amor fraternal. A palavra “cordialmente” é que qualifica esse amor.  “Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos” (Hb 13.1-2). 

Esse degrau do comportamento ético do cristão é um dos muitos mandamentos da mutualidade. O amor cordial é recíproco: “uns aos outros”. Dentro da igreja não somos estranhos; muito menos unidades isoladas. Somos irmãos, porque temos o mesmo Pai. A igreja não é um clube onde as pessoas se associam; nem simplesmente uma reunião de amigos. A igreja é a família de Deus. A reciprocidade no amor é a marca mais visível no corpo de Cristo.


IV. No zelo, não sejais remissos

O descuido da vida cristã acarreta sérios problemas. O cristão não pode tomar as coisas de qualquer maneira. O nosso cotidiano é sempre uma alternativa entre a vida e a morte. O tempo é curto e a vida terrena é uma preparação para a eternidade. O profeta Jeremias exorta-nos: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente!” (Jr 48.10). Costuma-se dizer que o cristão pode abrasar-se, porém nunca oxidar-se. Jesus, em carta à igreja de Laodiceia, exorta: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te” (Ap 3.19).


V. Sede fervorosos de espírito

William Barclay, comentando esse degrau da ética do comportamento cristão, diz: “Devemos manter nosso espírito sempre em alta. Espírito fervoroso é espírito que transborda em amor por Deus e pelo próximo. Ilustra-se esse fervor com uma vasilha de água fervendo no fogo”. Foi exatamente nessa dimensão que Jesus advertiu a igreja de Laodiceia: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem deras fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (Ap 3.15-16). O que se requer do verdadeiro cristão é que ele seja “fervoroso de espírito”. Isto é, uma pessoa entusiasmada e apaixonada pela salvação das almas e pela santificação da Igreja.


 VI. Servindo ao Senhor

Quem serve ao Senhor, está servindo ao seu próximo, e quem serve ao seu próximo está servindo ao Senhor. Jesus coloca esse assunto da seguinte maneira: “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.40). O salmista, no hino de ingresso ao templo, declara: “Servi ao Senhor com alegria”. Esse sentimento deve ser constante no serviço cristão. O crente deve ter prazer no que faz servindo no reino de Deus. Por isso mesmo, aconselha o apóstolo: “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades” (Cl 4.5). “Quem não vive para servir, não serve para viver”.


Conclusão

Elisabeth Gomes, em seu livro “Ética nas pequenas coisas”, diz: “Deus espera de Seus filhos pecadores e redimidos pelo sangue de Jesus um padrão de excelência em tudo. Deste lado da glória não atingiremos perfeição no sentido de não pecarmos, mas somos aperfeiçoados a cada dia, à medida que nos achegamos Àquele que cumpre em nós o querer e o realizar”. 

A vida cristã é uma experiência que se renova a cada dia em nosso relacionamento com Deus e com o nosso próximo. 

Na carta aos Romanos, Paulo diz: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6.4). Esse “andar em novidade de vida” implica:

1. Detestar o mal;

2. Apegar-se ao bem;

3. Amar cordialmente uns aos outros;

4. Não ser remisso no zelo pelas coisas de Deus;

5. Ser fervoroso de espírito;

6. Servir ao Senhor com alegria.


Para encerrar esta lição, reflitamos a respeito dos seguintes temas.

1.      A semelhança de Deus: “Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48).

2. O exemplo para a igreja: “... vos tornastes o modelo para todos os crentes” (1Ts 1.7).

3. O espelho dos fiéis: “Sê exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, na fé, na pureza” (1Tm 4.12).