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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Solidão, para quê?


O Senhor é o meu pastor: nada me faltará.

Ele me faz descansar em pastos verdes e me leva a águas tranqüilas.

O Senhor renova as minhas forças e me guia por caminhos certos, como ele mesmo prometeu.

Ainda que eu ande por um vale escuro como a morte, não terei medo de nada. Pois tu, ó Senhor Deus, estás comigo; tu me proteges e me diriges.

Preparas um banquete para mim, onde os meus inimigos me podem ver. Tu me recebes como convidado de honra e enches o meu copo até derramar.

Certamente a tua bondade e o teu amor ficarão comigo enquanto eu viver. E na tua casa, ó Senhor, morarei todos os dias da minha vida. (Salmo 23)

“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.” (Clarice Lispector).

Nem todas as pessoas conseguem dizer essa frase, mas as que dizem têm um sentimento de profunda sensação de vazio e isolamento. Elas percebem que a solidão é mais que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa, porque os seus sentimentos precisam de algo novo que as transforme.

Solidão não é o mesmo que estar desacompanhado. Pessoas passam por momentos em que se encontram sozinhas, seja por força das circunstâncias ou por escolha própria. Estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo.

A solidão não requer a falta de outras pessoas e geralmente é sentida mesmo em lugares densamente ocupados. Pode ser descrita como a falta de identificação, compreensão ou compaixão.

Para sentir solidão, entretanto, o indivíduo passa por um estado de profunda separação. Isto pode se manifestar em sentimentos de abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade, falta de esperança, inutilidade, insignificância e ressentimento. 

Mas Deus não planejou isso para nós. Mesmo que estejamos sós, por opção ou não, o Senhor está ao nosso lado e jamais nos abandona. Mesmo que nossos pais nos desprezem, ele sempre cuidará de nós. (Salmo 27:10)

Portanto, para quê continuar em solidão? Jesus Cristo está de braços abertos para ser sua companhia infalível.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Controle total


O Anticristo obrigou todas as pessoas, importantes e humildes, ricas e pobres, escravas e livres, a terem um sinal na mão direita ou na testa. Ninguém podia comprar ou vender, a não ser que tivesse esse sinal. (Apocalipse 13:16-17) 
O registro de identificação de todas as pessoas levará à implementação do controle total. Esse é mais um dos sinais dos tempos. A prova disso são as escutas telefônicas ocorridas nos Estados Unidos, fato que causou escândalo recentemente. 
Para entender esse processo, é preciso prestar atenção no que acontece nos países emergentes. O maior problema dessas nações é a identificação das pessoas. Normalmente os governantes têm pouquíssima informação sobre os cidadãos, daí a abundância de crimes, dentre eles a corrupção, nos quais os criminosos usam identidades falsas ou criam empresas de fachada para esconderem a movimentação de recursos financeiros ilegais desviados dos cofres públicos e assim escaparem da punição. 
As nações desenvolvidas são aquelas que têm a maior quantidade de informação possível sobre seus cidadãos. Em decorrência disso, as empresas sérias preferem investir nesses países fazendo a economia crescer o suficiente para aumentar mais rapidamente o bem estar da sua população. 
Hoje em dia, graças à tecnologia da computação, todos os governos têm condições de identificar por completo cada pessoa. Contudo, a coleta de todos esses dados de identificação requer tempo, razão pela qual se verifica este período de preparação que tem o objetivo de sorrateiramente convencer a população mundial de que a identificação e as informações precisas são chave para uma melhor qualidade de vida e, desse modo, deixá-la pronta para seguir até mesmo os ditames ilógicos que a situação vier a requerer. Assim, o controle total será uma conquista que coroará a inteligência humana e poucos se oporão a ele. 
O sucesso da implantação desse controle total sobre as pessoas levará ao cumprimento da profecia de Apocalipse 13:16-17. Entretanto, isso não deve ser motivo de preocupação para aqueles que aceitam o dom gratuito da salvação em Cristo e que esperam ansiosamente pela sua volta que os salvará do castigo divino que está para vir. Na volta de Cristo, seremos levados nas nuvens e assim ficaremos para sempre com ele. (1 Tessalonicenses 1:10; 4:16-18) 
Portanto, animem uns aos outros com essas palavras.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A união constrói


Ofereçam-se completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus. (Romanos 12:1)

A Palavra nos recomenda deixarmos Deus nos transformar por meio de uma completa mudança da nossa mente. Assim conheceremos a sua vontade, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.

Para que possamos construir um mundo melhor por meio da união, em primeiro lugar não devemos nos achar melhores do que realmente somos, mas pensarmos com humildade a respeito de nós mesmos. Porque, assim como em um só corpo temos muitas partes, e todas elas têm funções diferentes, assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo.

Devemos usar os nossos diferentes dons de acordo com a graça que Deus nos deu. Se é o dom de servir, então devemos servir; se é o de ensinar, então ensinemos; se é o dom de animar os outros, então animemos. Quem reparte com os outros o que tem, que faça isso com generosidade. Quem ajuda os outros, que ajude com alegria. O nosso amor não pode ser fingido. O mal deve ser odiado e todos devem ser tratados com respeito.

Devemos trabalhar com entusiasmo e sem preguiça. Servir o Senhor com o coração cheio de fervor. A esperança que temos em Cristo deve nos manter alegres; aguentando os sofrimentos com paciência e oração.

Precisamos pedir que Deus abençoe os que nos perseguem, e não que os amaldiçoe. Alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram é a melhor demonstração de solidariedade. 

Não podemos ser orgulhosos ao ponto de não aceitarmos serviços humildes, achando que somos mais sábios do que os outros.

Não se pode pagar o mal com o mal, mas no que depender de nós, façamos todo o possível para viver em paz com todas as pessoas. Deixemos de lado a vingança, e confiemos no castigo de Deus, pois as Escrituras Sagradas dizem: “Eu me vingarei, eu acertarei contas com eles, diz o Senhor.” Pelo contrário, se o nosso inimigo estiver com fome, demos comida a ele; se estiver com sede, demos água. Porque assim o faremos queimar de remorso e vergonha. Enfim, não deixemos que o mal nos vença, mas vençamos o mal com o bem. (Romanos 12:2-21)

Assim, seremos mais unidos e construiremos um mundo melhor.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Resgatados das ilusões

Ó Senhor Deus, eu já não sou orgulhoso; deixei de olhar os outros com arrogância. Não vou atrás das coisas grandes e extraordinárias, que estão fora do meu alcance. Assim, como a criança desmamada fica quieta nos braços da mãe, assim eu estou satisfeito e tranqüilo, e o meu coração está calmo dentro de mim. (Salmos 131:1-2)


“A maior parte das pessoas procura, como objetivo de sucesso, coisas grandes e elevadas. O que elas não sabem é que a chave dos seus sonhos está dentro delas mesmas.” (George Washington Carver) 

Hoje eu conversei com um colega que está se aposentando. Enquanto falávamos sobre a vida, sobre a carreira, sobre os sonhos, algumas questões vieram à mente: O que poderia caracterizar o nosso sucesso? Quais são os nossos sonhos? O que buscamos achar com insistência? O que poderá garantir a nossa felicidade?

Lembrei-me de uma mensagem recebida do escritor Paulo R. de Sousa que tocou muito ao meu coração. Ele dizia: “Às vezes pensamos que a verdadeira alegria virá com um emprego que nos garanta excelente salário. Outras vezes julgamos que só seremos felizes se pudermos comprar uma bela casa ou um carro de luxo. É possível até que nosso grande sonho seja alcançar notoriedade e aplausos por grandes conquistas pessoais. O que não sabemos é que tudo isso poderá se tornar real em nossas vidas e não trazer felicidade alguma.

Muito mais felizes seremos se conquistarmos coisas pequenas, tais como o amor de nossa família, a admiração dos amigos por nossa humildade e dedicação ao próximo, a paz que nos leve a dormir tranquilos e sem perturbações, a certeza de que a nossa presença no mundo não é em vão.

A verdadeira felicidade está dentro de nós. Ela entrou quando Cristo veio morar em nossos corações. É Ele que inspira o nosso amor, a nossa fidelidade, a nossa generosidade, a nossa compreensão e fé.

E, se estamos felizes com a nossa vida, sem a ilusão de que a felicidade depende das coisas grandiosas, essas poderão vir, não como essenciais, mas, como consequência de uma vida com o Senhor.

A chave de nosso sucesso está dentro de nós mesmos. É Jesus a razão de nossa felicidade. Nós confiamos nele.”

Assim, pude dizer ao colega que se aposenta, e digo a você também: Deus almeja tanto a nossa felicidade que enviou seu Filho Jesus Cristo para nos resgatar das ilusões desse mundo, e hoje nos mantém felizes com a vida mediante a atuação consoladora do seu Espírito Santo dentro de nós.  

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Hospital de Deus

Fui ao hospital do Senhor fazer um "check-up" de rotina e constatei que estava doente. Quando Jesus mediu minha pressão, verificou que estava baixa de ternura. Ao tirar a temperatura, o termômetro registrou 40 graus de egoísmo.

Fiz um eletrocardiograma e foi diagnosticado que necessitava de uma ponte de amor, pois minha artéria estava bloqueada e não estava abastecendo meu coração vazio.

Passei pela ortopedia, pois estava com dificuldade de andar lado a lado com meu irmão e não conseguia abraçá-lo por ter fraturado o braço, ao tropeçar na minha vaidade.

Constatou-se miopia, pois não conseguia enxergar além das aparências.

Queixei-me de não poder ouvi-lo e diagnosticou bloqueio em decorrência das palavras vazias do dia a dia.

Obrigado, Senhor, por não ter me cobrado consulta, pela sua grande misericórdia. Prometo, ao sair daqui, somente usar remédios naturais que me indicou e que estão no Evangelho. Vou tomar diariamente, ao me levantar, chá de agradecimento; ao chegar ao trabalho, beber uma colher de sopa de bom dia; e de hora em hora, um comprimido de paciência, com um copo de humildade.

Ao chegar em casa, Senhor, vou tomar, diariamente, uma injeção de amor e, ao me deitar, duas cápsulas de consciência tranquila. Agindo assim, tenho certeza de que não ficarei mais doente e todos os dias serão de confraternização e solidariedade.

Prometo prolongar este tratamento preventivo por toda a minha vida, para que quando eu for chamado, possa ser achado digno de ser Seu filho. Obrigado senhor, e perdoe-me. De seu cliente.

"Todos nós vivemos devorados pela necessidade de sermos amados, mas temos medo da insegurança de amar."

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Deus capacita o escolhido



Conta certa lenda,
que estavam duas crianças
patinando num lago congelado.
Era uma tarde nublada
e fria e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo se quebrou
e uma delas caiu,
ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso
e se congelando, tirou um dos patins
e começou a golpear o gelo com todas
as suas forças, conseguindo por fim
quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram
e viram o que havia acontecido,
perguntaram ao menino:
- Como você conseguiu fazer isso?
É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo,
sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis! 


Nesse instante, um ancião que passava pelo local,
comentou:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Pode nos dizer como?
- É simples - respondeu o velho.
- Não havia ninguém ao seu redor,
para lhe dizer que não seria capaz.

 




"Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados,

CAPACITA OS ESCOLHIDOS.
Fazer ou não fazer algo só depende
de nossa vontade e perseverança
   Mt 22:14 - Porque muitos são chamados.
Mas poucos os escolhidos. 

 
Confie.... 

As coisas acontecem na hora certa. 
Exatamente quando devem acontecer! 
Momentos felizes, louve a Deus. 
Momentos difíceis, busque a Deus. 
Momentos silenciosos, adore a Deus. 
Momentos dolorosos, confie em Deus. 
Cada momento, agradeça a Deus.  
  
93% das pessoas nao encaminharão esse e-mail !!!

sexta-feira, 15 de março de 2013

A garota com a maça


Agosto de 1942 - Piotrkow, Polônia.
Naquela manhã, o céu estava sombrio, enquanto esperávamos ansiosamente.
Todos os homens, mulheres e crianças do gueto judeu de Piotrkow tinham sido levados até uma praça.
Espalhou-se a notícia de que estávamos sendo removidos. Meu pai havia falecido recentemente de tifo, que se alastrara através do gueto abarrotado.
Meu maior medo era de que nossa família fosse separada.
"O que quer que aconteça," Isidore, meu irmão mais velho, murmurou para mim,
"não lhes diga a sua idade. Diga que tem dezesseis anos".
Eu era bem alto, para um menino de 11 anos, e assim poderia ser confundido como tal.
Desse jeito eu poderia ser considerado valioso como um trabalhador.
Um homem da SS aproximou-se, botas estalando nas pedras grosseiras do piso.
Olhou-me de cima a baixo, e, então, perguntou minha idade.
"Dezesseis", eu disse.
Ele mandou-me ir à esquerda, onde já estavam meus três irmãos e outros jovens saudáveis.
Minha mãe foi encaminhada para a direita com outras mulheres, crianças, doentes e velhos.
Murmurei para Isidore, "Por quê?"
Ele não respondeu. Corri para o lado da mãe e disse que queria ficar com ela.
"Não," ela disse com firmeza. "Vá embora. Não aborreça. Vá com seus irmãos".
Ela nunca havia falado tão asperamente antes. Mas eu entendi: ela estava me protegendo.
Ela me amava tanto que, apenas esta única vez, ela fingiu não fazê-lo. Foi a última vez que a vi.
Meus irmãos e eu fomos transportados em um vagão de gado até a Alemanha.
Chegamos ao campo de concentração de Buchenwald em uma noite, semanas após,
e fomos conduzidos a uma barraca lotada.
No dia seguinte, recebemos uniformes e números de identificação.
"Não me chamem mais de Herman", eu disse aos meus irmãos. "Chamem-me 94938".
Colocaram-me para trabalhar no crematório do campo, carregando os mortos em um elevador manual.
Eu, também, me sentia como morto. Insensibilizado, eu me tornara um número. Logo, meus irmãos e eu fomos mandados para Schlieben, um dos sub-campos de Buchenwald, perto de Berlim.
Em uma manhã, eu pensei ter ouvido a voz de minha mãe.
"Filho" ela disse suave, mas claramente, "Vou mandar-lhe um anjo".
Então eu acordei. Apenas um sonho. Um lindo sonho.
Mas nesse lugar não poderia haver anjos. Havia apenas trabalho. E fome. E medo.
Poucos dias depois, estava caminhando pelo campo, pelas barracas, perto da cerca de arame farpado, onde os guardas não podiam enxergar facilmente. Estava sozinho. Do outro lado da cerca,
eu observei alguém: uma pequena menina com suaves, quase luminosos cachinhos.
Ela estava meio escondida atrás de uma bétula. Dei uma olhada em volta, para certificar-me de que ninguém estava me vendo. Chamei-a suavemente em Alemão. "Você tem algo para comer?"
Ela não entendeu. Aproximei-me mais da cerca e repeti a pergunta em Polonês.
Ela se aproximou. Eu estava magro e raquítico, com farrapos envolvendo meus pés,
mas a menina parecia não ter medo. Em seus olhos eu vi vida.
 


Ela sacou uma maçã do seu casaco de lã e a jogou pela cerca.
Agarrei a fruta e, assim que comecei a fugir, ouvi-a dizer debilmente, "Virei vê-lo amanhã".
Voltei para o mesmo local, na cerca, na mesma hora, todos os dias. Ela estava sempre lá, com algo para eu comer - um naco de pão ou, melhor ainda, uma maçã.
Nós não ousávamos falar ou demorarmos. Sermos pegos significaria morte para nós dois.
Não sabia nada sobre ela. Apenas um tipo de menina de fazenda, e que entendia Polonês.
Qual era o seu nome? Por que ela estava arriscando sua vida por mim?
A esperança estava naquele pequeno suprimento, e essa menina, do outro lado da cerca,
trouxe-me um pouco, como que me nutrindo dessa forma, tal como o pão e as maçãs.
Cerca de sete meses depois, meus irmãos e eu fomos colocados em um abarrotado vagão de carvão e enviados para o campo de Theresiensatdt, na Tchecoeslováquia.
"Não volte", eu disse para a menina naquele dia. "Estamos partindo".
Voltei-me em direção às barracas e não olhei para trás, nem mesmo disse adeus
para a pequena menina, cujo nome eu nunca aprendi - menina das maçãs.
Permanecemos em Theresienstadt por três meses.
A guerra estava diminuindo e as forças aliadas se aproximando, muito embora meu destino parecesse estar selado. No dia 10 de maio de 1945, eu estava escalado para morrer na câmara de gás, às 10:00 horas. No silencioso crepúsculo, tentei me preparar. Tantas vezes a morte pareceu pronta para me achar, mas de alguma forma eu havia sobrevivido. Agora, tudo estava acabado.
Pensei nos meus pais. Ao menos, nós estaremos nos reunindo.
Mas, às 08:00 horas ocorreu uma comoção.
Ouvi gritos, e vi pessoas correndo em todas as direções através do campo.
Juntei-me aos meus irmãos.
Tropas russas haviam liberado o campo! Os portões foram abertos.
Todos estavam correndo, então eu corri também.
Surpreendentemente, todos os meus irmãos haviam sobrevivido.
Não tenho certeza como, mas sabia que aquela menina com as maçãs tinha sido a chave da minha sobrevivência. Quando o mal parecia triunfante, a bondade de uma pessoa salvara a minha vida,
me dera esperança em um lugar onde ela não existia.
Minha mãe havia prometido enviar-me um anjo, e o anjo apareceu.
Eventualmente, encaminhei-me à Inglaterra, onde fui assistido pela Caridade Judaica.
Fui colocado em um abrigo com outros meninos que sobreviveram ao Holocausto e treinado em Eletrônica. Depois fui para os Estados Unidos, para onde meu irmão Sam já havia se mudado.
Servi no Exército durante a Guerra da Coréia, e retornei a Nova Iorque, após dois anos.
Por volta de agosto de 1957, abri minha própria loja de consertos eletrônicos.
Estava começando a estabelecer-me.
Um dia, meu amigo Sid, que eu conhecia da Inglaterra, me telefonou.
"Tenho um encontro. Ela tem uma amiga polonesa. Vamos sair juntos!".
Um encontro às cegas? Não, isso não era para mim!
Mas Sid continuou insistindo e, poucos dias depois, nos dirigimos ao Bronx para buscar a pessoa
com quem marcara encontro e a sua amiga Roma. Tenho que admitir: para um encontro às cegas, não foi tão ruim. Roma era enfermeira em um hospital do Bronx. Era gentil e esperta. Bonita, também, com cabelos castanhos cacheados e olhos verdes amendoados que faiscavam com vida.
Nós quatro fomos até Coney Island. Roma era uma pessoa com quem era fácil falar e ótima companhia. Descobri que ela era igualmente cautelosa com encontros às cegas.
Nós dois estávamos apenas fazendo um favor aos nossos amigos. Demos um passeio na beira da praia, gozando a brisa salgada do Atlântico e depois jantamos perto da margem. Não poderia me lembrar de ter tido momentos melhores.
Voltamos ao carro do Sid, com Roma e eu dividindo o assento trazeiro.
Como judeus europeus que haviam sobrevivido à guerra, sabíamos que muita coisa deixou de ser dita entre nós. Ela puxou o assunto, perguntando delicadamente:
"Onde você estava durante a guerra?"
"Nos campos de concentração", eu disse.
As terríveis memórias ainda vívidas, a irreparável perda. Tentei esquecer.
Mas jamais se pode esquecer.
Ela concordou, dizendo: "Minha família se escondeu em uma fazenda na Alemanha,
não longe de Berlim . Meu pai conhecia um padre, e ele nos deu papéis arianos."
Imaginei como ela deve ter sofrido também, tendo o medo como constante companhia.
Mesmo assim, aqui estávamos, ambos sobreviventes, em um mundo novo.
"Havia um campo perto da fazenda", Roma continuou.
"Eu via um menino lá e lhe jogava maçãs todos os dias."
Que extraordinária coincidência, que ela tivesse ajudado algum outro menino.
"Como ele era?", perguntei.
"Ele era alto, magro e faminto. Devo tê-lo visto todos os dias, durante seis meses."
Meu coração estava aos pulos! Não podia acreditar! Isso não podia ser!
"Ele lhe disse, um dia, para você não voltar, por que ele estava indo embora de Schlieben?".
Roma me olhou estupefata. "Sim!".
"Era eu!".
Eu estava para explodir de alegria e susto, inundado de emoções.
Não podia acreditar! Meu anjo!
"Não vou deixar você partir", disse a Roma.
E, na trazeira do carro, nesse encontro às cegas, pedi-a em casamento. Não queria esperar.
"Você está louco!", ela disse.
Mas convidou-me para conhecer seus pais no jantar do Shabbat da semana seguinte.
Havia tanto que eu ansiava descobrir sobre Roma, mas as coisas mais importantes eu sempre soube: sua firmeza, sua bondade. Por muitos meses, nas piores circunstâncias, ela veio até a cerca
e me trouxe esperança. Não que eu a tivesse encontrado de novo, eu jamais a havia deixado partir.
Naquele dia, ela disse sim. E eu mantive a minha palavra.